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* Orlando Sabino, o “Monstro” de Capinópolis. Saiba as verdades e mitos.

O artigo a seguir tem um foco político, diferente das lendas e mitos criados sobre o “monstro de Capinópolis”. Muitos irão repensar sobre o caso e outros continuarão a crer que o “homem mau” era algo malígno, que distribuiu o terror e a morte no pontal do Triângulo Mineiro.

Orlando Sabino – Foto exclusiva: www.capinopolis.com

Horror, mortes e muito medo. Essa é a lembrança de nossos avós, tios e amigos que viveram no Triângulo Mineiro no iní­cio da década de 70, todos, sem exceção, mencionam o terror que Orlando Sabino, o “monstro” de Capinópolis levou a  população.

Homens, mulheres e animais sendo mortos com requintes de crueldade e nenhuma pista do assassino.

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Segundo relatos, foram mais de 28 pessoas e aproximadamente 100 bezerros, todos mortos barbaramente desde Paracatu -Mg. até Capinópolis-Mg.

Mas como explicar os assassinatos que aconteciam quase ao mesmo tempo em cidades mineiras vizinhas  e na zona rural?

Muitos diziam que Orlando Sabino havia feito um pacto com o demônio, o que lhe garantia o poder de camuflar entre pedras e cupins no pasto ou até mesmo de andar na velocidade do vento, o que explicaria o motivo dos assassinatos que aconteciam quase ao mesmo tempo em lugares distintos.

O maior telejornal do país na época, o jornal Nacional da tv Globo noticiava os feitos criminosos de Orlando na região na voz dramática de Cid Moreira, aumentando ainda mais o pavor na cidade e na zona rural.

Mas o que muitos não sabem é que a Tv Globo era simpatizante do regime militar que comandava o Brasil e mascarava as atividades da ditadura em sua programação, já que a concessão da emissora foi cedida durante este perí­odo e poderia ser indeferida caso algo que não agradace ao governo fosse publicado, o que leva a crer que o papel da Globo naquele momento era desviar a atenção do povo para o “monstro”.

Caminhões repletos de militares vasculhavam o Pontal do Triângulo Mineiro a procura de Orlando Sabino, ou seria perseguindo a guerilha urbana e rural que era contra o regime militar?

Exames de balística comprovam que em alguns corpos e carcaças de animais foram encontrados projéteis que eram de uso exclusivo das forças armadas do Brasil.

Em Março de 1972, após 48 dias de buscas, Orlando Sabino foi encontrado às margens do rio Paranaíba próximo à  Ipiaçu-Mg., o cruel e sanguinário assassino estava muito assustado e tremia de medo.

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Orlando Sabino – Um olhar assustado e amedrontado.

Orlando Sabino, negro, 30 anos, foi exibido ao público na cadeia pública de Capinópolis,  onde se formou uma grande fila para vê-lo. Algum tempo depois, Orlando foi levado ao batalhão da polícia na cidade de Uberaba, aproximadamente a 260 km de Capinópolis, onde foi interrogado por dois dias e segundo as autoridades, confessou todos os crimes.

Os militares divulgaram parte da confissão de Orlando Sabino, que alegou matar por vingança, pois quando era menino foi juntamente com o pai cobrar uma dí­vida de um fazendeiro e foram recebidos a tiros; uma das balas matou seu pai.

Médicos que examinaram o “monstro” disseram que ele sofria de esquizofrenia, o que explicaria seu comportamento assassino.

Mitos, que de tanto serem lembrados e comentados se tornaram reais, mascarando a negra atividade do regime militar, o verdadeiro “monstro”, mas que a população não exergava como um perfil de negro, franzino, barba rala e muito cruel.

Uma história que divide opiniões entre os que querem crer no mito, no monstro, no “fantasma” e os que creem que Orlando Sabino era um homem com distúrbios mentais e foi “usado” pelo regime militar para incobrir os crimes da ditadura.

Policiais fazem “pose” para serem fotografados ao lado de Orlando Sabino

Um dos maiores ícones populares do Triângulo Mineiro, “Orlando Sabino”, chegou a ser tema de música caipira, gravada pela dupla sertaneja “Coelho e Libeirinho”.

Documentário exibido pelo SBT sobre Orlando Sabino

Colabore, faça como vários leitores, envie seus relatos e lembranças dos acontecimentos. Ajude a imortalizar a cultura e a memória de um povo.

LOGO ABAIXO ESTÃO COMENTÁRIOS E RELATOS QUE ENRIQUECEM ESSE ARTIGO.

ESTE ARTIGO PODE SER ATUALIZADO.

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Fotos reais de Orlando Sabino conseguidas em pesquisa realizada por Marina Braga

Pesquisa histórica: Marina Braga e Paulo Braga | Redação: Paulo Braga | Revisão: Lívia Reis

34 Comments

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  1. eu morava em capinopis na epoca do orlando sabino foram muitos dias de medo ouvindo o radio o dia inteiro pra saber onde o monstro estava foi um horror

  2. ..O que mais amo na vida e escrever as minhas memorias de infância…Mas esse esse tempo foi tão assustador pra mim que esqueci o nome da fazenda rural onde eu vivia no município de Ituiutaba e impossível não pensar que aquilo não aconteceu! A morte dos bezerros os helicópteros rondando o matagal a procura de Orlando Sabino. Um dos boatos que ficou na minha mente e que ele onde ele passava ia degolando as pessoas bebia o sangue dos animais e em seguida esparramava açúcar pela casa… A cada dia ouvíamos que ele estava chegando mais perto …Quando ouviamos tiros ficávamos entre a esperança que tivessem matado o monstro e a interteza apavorante de que ele tivesse feito mais vitimas…Graças a Deus ele foi preso, mas muito ficou ofuscado em minhas lembranças ate o nome da fazenda no município de Capinopolis. Ele finalmente foi preso anos depois que fugi, de volta ao seio familiar encontrei na casa de meus avós um minúsculo livrinho de cordel Orlando Sabino eu o lia e tudo se encaixava aos boatos…Me lembro que quando peguei aquele cordel respirei fundo, mas de alivio por não esta naquelas redondezas de medo onde eu vivia.

  3. morava em capinópolis e estudava em ituiutaba vivenciei este terror eramos acompanhados por um policial todos as noites em que desciamos do onibus vindo de ituiutaba para capinópolis morávamos com as irmãs passamos muito medo ai em capinópolis

  4. Só pra retificar e exclarecer algumas informações.
    Orlando sabino foi capturado no rio Tejuco na fazenda ventania município de Ipiaçu MG onde o prefeito Giovani Gomes araujo deu lhe um tapa no rosto, Orlando sabino foi um verdadeiro bode expiatório do regime militar , ele era simplesmente um andarilho que roubava comida nas noites e madrugadas das fazendas e nada mais

  5. Neste final de semana, o grupo escoteiro Antonio mendes-GEAM59/MG, 21/03/2015, realizou um BIVAQUE, na fazenda popularmente FAZ. DO JUQUINHA, ENTÃO INFORMEI AOS NOSSOS ESCOTEIROS, que estamos no local onde o então monstro de capinópolis, ORLANDO SABINO, como dizem matou 19 bezerros, e todos afirmaram que já tinha ouvido falar. Eu naquela época com meus 14/15 anos, também entrei na fila para ver.

  6. Na época, em 1972, eu tinha 34 anos, morava no município de Capinópolis, Côrrego do açúdi, juntamente com esposa e quatro filhos, todos os filhos muito pequenos, indefesos. Possuía um pequeno sítio, distante uns dez quilometros de Capinópolis. Eu era jovem e destemidos, recebia aquelas notícias de morte próximo de minha casa, mas mesmo assim insistia em não abandonar minha propriedade. Soube da história em que Orlando aproximou de um grupo de trabalhadores armados com ferramentas e todos correram, soube da morte do casal de idosos e da morte de bezerros, entre outras histórias aterrorizantes, todos tinham medo naquela região. Meu amigo seu Alci, meu vizinho teve a esposa assassinada. Certo dia seu Alci saiu de casa e ao retornar passou passou por um homem, alguns metros de sua casa. Ao adentrar na casa dele seu Alci deparou com a esposa dele morrendo com um facada, então constatou que só poderia ser o homem com quem cruzou ao se aproximar da casa dele (este homem tinha as aparências do Orlando), seu Alci me contou isso pessoalmente. Então seu Alci, imediatamente, após ver sua esposa ferida, saiu em perseguição ao dito elemento, mas não viu nem rastro mais do suspeito. A esposa do seu Alci morreu sem dizer nada. Como eu tinha menos medo, resisti e permaneci em minha casa, cuidando de minhas obrigações, mas muitos vizinhos vieram se refugiar no meu sítio, buscando proteção, era engraçado aquele monte de gente morrendo de medo e ao mesmo tempo aterrorizante, pois muitos choravam. Foram muitos dias de terror, era gente para todo o lado, militares e moradores da região que se juntavam aos homens da lei para procurar Orlando, eu também ajudei a procurar pelo criminoso, por alguns dias. Os boatos continuavam correndo pela redondeza das ações do assassino. Diz as pessoas que Orlando possui muitas técnicas para fugir, umas delas era adentra na mata andando de costas, pois assim enganava quem o perseguia. Muitos dias após, eu estava em meu sítio e soube da prisão de Orlando, segundo informações o bandido foi preso dentro do rio Parnaiba, quando tentava trocar uma canoa velha por outra mais nova, esta estava amarrada com um cadeado e Orlando tentava quebrar o cadeado quando foi surpreendido pela polícia. Inicialmente, ao ser abordado por policiais, Orlando tentou negar ser o homem procurado, mas posteriormente Orlando confessou os crimes e, inclusive passou com os policiais nos locais onde os fatos ocorreram e contava como tudo teria ocorrido, entregando inclusive objetos que teria escondido no mato, após a prática dos crimes. Eu pessoalmente vi os policiais conduzindo Oralndo, o preso estava dentro da carroceria de uma camionet, amarrado por pés e mãos, com os policiais segurando-o, na estrada que liga Ipiaçú a Capinópolis. Após a prisão do Orlando acabou os crimes na região, não ocorreu mais nada naquela Redondeza, virou uma calmaria e as pessoas tiveram paz para continuar suas vidas. Almeida Caetano de Oliveira, 76 anos.

  7. Pra mim essa estória de Orlando Sabino foi uma fraude. Este pobre coitado com problemas mentais nunca matou ninguém, apenas serviu como bode espiatório para crimes cometidos pela própria PM. Toda essa mística que se gerou em torno dele foi boataria proposital para desviar o foco do que realmente estava acontecendo. Pegaram ele para Cristo, e se aproveitaram da ingenuidade e misticismo das pessoas que residiam por aqui nessa época, grande parte sem muita instrução, gente da roça semi-analfabeta e que não possuía discernimento suficiente para entender bem o que estava ocorrendo. Preferiam acreditar que um homem endemoniado que corre como o vento e se camufla como cupinzeiro estava matando pessoas na região de Capinópolis, do que acreditar numa estória mais plausível e menos fantasiosa, como crimes políticos com intimidação e disseminação do terror e medo (matança de animais) cometidos pelas próprias forças policiais…

  8. Pra quem quiser saber mais, leiam o livro ” o diabo esta la fora”. É uma ótima leitura, super recomendo.

  9. Na època eu tinha 17 anos e morava na fazenda Brumado município de Canápolis onde o dito “monstro” passou uma noite comendo açucar e algumas outras coisas. Fico perplexa em ver como a História é moldada de acordo com a conveniencia de cada um. Fica em mim a pergunta: se um fato tão recente se cria tanto em cima dele, como acreditar na História que nos foi ensinada nas Escolas e que datam de séculos e até milenios atras?

  10. Nos idos de 1972, o mês não me lembro. Num domingo à tarde chegou uma pessoa na minha casa contando que um “HOMEM MAU” havia matado um rapaz próximo à cidade de Canápolis. Na segunda feira chegou a noticia que a dona Inez (amiga da minha mãe) teria sido assassinada pelo tal indivíduo na Fazenda Pirapitinga no mesmo município. Um filho da vítima viu o criminoso de costas puxando-a pelos cabelos… na mesma semana o tal HOMEM MAU foi visto correndo na fazenda Grama ja municipio de Capinópolis onde deixou uma botina e um punhal com a ponta torta. Passando próximo à nossa casa, no dia seguinte soubemos da morte de um casal de idosos e posteriormente a morte de 19 (se não me engano) bezerros numa fazenda proximo à cidade de Capinópolis. Onde eu morava a vizinhança (cerca de 15 famílias) se dirigiam para Capinópolis no final da tarde temendo a chegado do “homem” em suas casas à noite. Meu pai não seguia o exemplo temendo chegar no dia seguinte e o individuo estar dentro da nossa casa. Nunca ouvimos tanto rádio (a Difusora AM, lógico) fazia plantões a cada quinze minutos; helicopteros rondavam durante todo o dia. Redatores de revistas como Manchete cobriam “tudo”. Foi uma verdadeira onda de terror sem contar nos casos hilários que aproveitavam a ocasião. Um vizinho nosso, o Jaime, raquítico, portador de uma anemia aguda, voltava de Capinopolis quando se deparou com muitos trabalhadores colhendo arroz, subiu num poste da cerca e gritou: “Eu sou o homem mau”, segundo o Jaime, não ficou um trabalhador para ver que era brincadeira. Essa era uma das menores. Tempos idos…

  11. “O diabo está lá fora”
    Orlando Sabino trouxe o terror para o Triângulo Mineiro em forma de morte. Sua aparição marca o fim da inocência naquelas terras que ainda guardavam a ingenuidade da vida no campo, carregada de superstições e mitos. O diabo está lá fora recria essa atmosfera inocente e evidencia o contraste que havia entre o interior e a capital dos Anos de Chumbo. A história dentro da história contada neste livro é uma ficção que revela a essência das pessoas da época e seu cotidiano com riqueza de detalhes. O perfil do “Monstro de Capinópolis” ou “Matador do Triângulo”, como ficou conhecido, é uma conjectura a partir dos relatos que envolveram o caso. Com capítulos curtos e uma dinâmica típica de roteiro de cinema, a leitura deste livro vai prendê-lo do início a um surpreendente final de uma trama envolvente em que personagens fictícios se misturam à realidade. Baseado na história real de Orlando Sabino – O matador do triângulo.
    FONTE: http://www.carlosferreirajf.blogspot.com

  12. Eu morava em Ituiutaba na época, ouvi muito falar do Monstro de Capinópolis, e estas narrações aqui nos ajuda a compreender um pouco o ocorrido, principalmente quando é feita por quem vivenciou os fatos.
    Porém esta página precisa ser melhor divulgada, por que assim certamente aparecerão mais narrações de pessoas que vivenciaram os fatos naquela época.
    Abraços.

  13. Bom dia Mônica. Por favor, peça para que seu Tio relate como foi o dia da apreensão de Orlando Sabino e conte aqui no site do jornal Tudo em Dia, temos a certeza de que milhares de pessoas irão conhecer melhor esta história.

  14. Na época da prisão de Orlando Sabino eu tinha apenas 2 anos, mas crescí ouvindo histórias sobre o matador do Triangulo. acabei de ler um livro que conta a história (baseada) e indico a todos para que tirem suas próprias conclusões. O livro se chama “O DIABO ESTÁ LA FORA” que conta a história de terror vivida naquela época em Capinópolis. Leiam vcs vão gostar.

  15. nessa época eu morava em uma fazenda no muncipio de canápolis, por onde esse monstro tambem andou! Me lembro que a gente morava na sede fa fazenda e quando saiu uma noticia que ele estava na redondeza, chega vizinhos e parentes que moravam perto, alguns chegavam até com panela de pressão quente, que tava no fogo! Dormiamos todos na casa grande e os homens dormiam proximos as portas! A gente se sentia mais protegido quando todos estavamos juntos!

  16. SERA QUE FOI SÓ ELE MESMO QUE MATOU TANTAS PESSOAS E ANIMAIS. POIS ESTAVAMOS EM UMA EPOCA QUE PODIA MATAR E SER MORTO, QUE NÃO DAVA EM NADA, ERAM MUINTOS CORONEIS, E POLICIAIS CORRUPTOS USANDO A DITADURA PARA CALAR A BOCA DOS CIDADÕES., MESMO QUE CUSTACE A VIDA. ERA UMA EPOCA DE COVARDIA , EU MORAVA NA EPOCA EM CAPINOPOLIS , MEU PAI SAIU EM CAPANA EM BUSCA DE ALGO, MAS VOLTOU PRA CASA DIZAENDO QUE NEM TUDO ERA O QUE PARECI, QUE TINHA GENTE MATANDO, E PONDO A CULPA NESTE CIDADAÕ ” ORLANDO SABINO” ERA DEMAIS NA EPOCA UMA PESSOA MATAR EM CAPINOPOLIS E EM MENOS DE HORAS MATAR EM IPIAÇU CACHOEIRA DOURADA ITUIUTABA E REGIAÕ. NEM SE ELE USACE NA EPOCA TODA TECNOLOGIA DE HOJE. MAS É APENAS UM ERRO DO PASSADO, E ACHARAM AQUEM JOGAR A CULPA.. MESMO QUE ELE TENHA MATADO ALGUNS, NÃO TERIA COMO ELE TER MATADO TANTOS. UM DIA DEUS EXPLICA.

  17. QUE LOCURA NA EPOCA EU ERA CRIANÇA E MORAVA NA REGIÃO RURAL SAO JOSÉ DO PRAIÃO, MUNICIPO DE CAPINÓPOLIS,TODAS AS NOITES TINHAMOS QUE REUNIR EM CASA REFORÇADA PRA DORMIR, TODOS OS MORADORES,PARENTES UNS DORMIA OUTROS FICAVA VIGIANDO,APESAR DE MUITO NOVA QUARDO NA MEMORIA O MEDO QUE PASSAMOS, MINHA TIA ESTAVA NA FAZENDA DO GERONIMO MAXIMIANO, ONDE ELE MATOU 19 BEZERROS,,,,,MEDO NÃO MATA, POQUE SE NÃO MUITOS TINHAM MORRIDO AQUELA ÉPOCA, SEM CONTAR QUE QUANDO AGENTE ESTAVA DORMINDO,UM ENGRAÇADINHO JOGOU UMAS PEDRINHAS EM CIMA DA CASA, FOI UM TERROR,,,,,,

  18. cara vcs nao intende eu nao era vivo na pepoca mais eu vo disse para min que ele era um negrinho baixinho
    que matava com façao ate arrumar uma espingarda andava apé ate ser prezo na margem do rio paranaiba

  19. sou de abadia dos dourados ,tinha na epoca 16 anos e conheço bem aquela estoria[farsa] pois tinhamos terras justamente na regiao do rio paranaiba, onde diziam andar o monstro que atacava e matava pessoas sem piedade . todos fugiam para a cidade. noticias chegavam que geralmente em noite anterior uma casa teria sido atacada, bezerros havia sido atacado , um pavor total. conheci em canapolis um senhor que contou me que um parente seu havia sido atacado pelo suposto orlando sabino mas era noite escura e nao deu para reconhecer o agresssor, em resumo sera mesmo verdadeiro aquela estoria. quando prenderam o tal orlando sabino , realmente a policia levou aate abadia dos dourados para reconhecimento, quando o vi pensei esse nao ataca ninguem, meu querido professsor disse depois , esse pobre coitado e apenas um bode expiatorio nas maos de macacos interessado em mostrar força policial, e hoje estou a pensar, como um pobre coitado tenha saido arapongas chegado a paracatu e voltadoa capinopolis sem ser preso? acho tambem que orllando sabino e simplismente uma pessoa que precisava ser capturado mas para ser tratado e nao acusado por crime que nunca cometeu, estou me lembrando de um detalhe, disseram que logo apos sua prisao, o mesmo havia estrangulado uma enfermeira e teria sido morto pelos seguranças, tudo mentira,,,

  20. Moro em Uberba/mg mais precisamente na praça do 4 batalhão. Na época eu tinha uns 10,12 anos e me lembro com riquesa de detalhes o ocorido. Lembro também quando o “monstro de capinópis” foi pego e mantido no interior do quartel por alguns dias e depois foi apresentado da sacada da sala do comandante para que as pessoas vissem o homem capturado. Uma multidão se formou na pça Magalhaes pinto.

  21. Campinas, SP, 03 de julho de 2011

    Gosto muito de ler e conhecer histórias regionais brasileiras, e nestas procuras encontrei a de Orlando Sabino, ocorrida no pontal do triangulo mineiro, onde morei de 1974 a 1978, ocasião em que tomei conhecimento desta história, porém a mesma sempre era contada de uma forma diferente, com novos dados, o que gerava dúvidas, porém neste site encontrei algumas narrações com detalhes bem interessantes, narrados por pessoas que viveram a história.
    Creio que falta uma pesquisa mais profunda, com as pessoas que viveram aquele fato, como também de arquivos e documentos da época, para que esta história possa ser passada às gerações futuras, com dados mais precisos.
    Gostaria que me informassem se há documentos disponíveis para pesquisa, e pessoas que foram testemunhas do fato que se possa contatar.

    Mauricio Fernandes.

  22. gostaria que mim enformace en que ano prenderao ornando sabino porquie morava em canapolis em 1976 so que li en uma reportagem falando que foi em 1972 tiren minhas duvidas obrigado

  23. UM CAUSO DE VERDADE

    Agosto de muito vento, mês de cachorro-doido. Andou por ali um assassino chamado Orlando Sabino, conhecido por aquelas bandas como Homem-Mau ou Zé Cueca. Saiu até na televisão e nos jornal, o homem matava qualquer um que passava na sua frente e já tinha uma lista de fazendeiro que mandou desta pra melhor. O terror corria solto, ninguém saía de casa durante o dia, de noite as famílias inteiras, reunidas, faziam oração e pediam a Deus que aquele homem sumisse da região, fosse embora dali da fazenda Paraíso.

    Aumentou ainda mais o temor quando tio Alaor foi morto.

    – O chumbo arrebentou o peito do pobre infeliz, diz que acertou no coração! Padrim Zé Pereira contava como se ainda sentisse a angústia de quem presenciou aqueles acontecimentos.

    Tinha vindo de Minas, Paracatu ou qualquer outra cidade próxima, atravessou o Paranaíba a nado e deixou para trás um rastro de sangue por todos os locais onde passou. Nas suas matanças, nem os animais escapavam, matava galinhas, porcos, bezerros.

    – Matava até os coitado dos cachorro que se metiam com ele.

    – Diz que quando era menino viu, com os próprio zói, o pai morrer depois de trocar tiro com fazendeiro, por causa de uma dívida – Interrompeu seu João Manco.

    Boi passava na estrada, o medo tomava conta de quem via, podia ser o Zé Cueca. Barulho do vento no bambuzal então… Quase matava todo mundo de medo. A polícia de Catalão fazia vigília no meio do cerrado, mas em nada diminuía o medo do povo.

    -Veio até os militar de Pameri – Seu João, novamente.

    Numa fazenda próxima morava Zé do Nova, cinco anos com problema na coluna: reumatismo dos brabos, hérnia de disco, bico-de-papagaio ou outro incômodo que doutor nenhum sabia explicar, foi levado pra Goiânia, Campinas, São Paulo e nada…a medicina resolvia nada, era dia após dia tomando uns chás ou raizada que Elonzinho Mendes fazia. Só miorava um pouco, nunca sarava de vez, passava deitado dia e noite.

    Sem andar, sempre de cama, era o único da região que continuava em casa o tempo todo, ele e a mulher que preferia morrer junto, os dois filhos pequenos também ficariam ali, inseparáveis.

    – Hum, hum. Se tiver que matar que mata todo mundo, ir embora sozinha, com os menino… Hum, hum, nem morta… Deus que óia a gente… Quem falou que o Zé dá conta de andar?

    Confesso que anos depois eu mesmo testemunhei resquícios dos tiros na janela de madeira, cinco balaços, romperam a aroeira e se alojaram na parede que na época já carecia de uma pintura, mas continuava assim porque era a prova de que um dia, o Zé Cueca passou por ali.

    Noite escura de lua minguante, um silêncio repentino tomou conta daquele fim de mundo. Lá fora, o vento fazia seu eterno vai-e-vem, quase silencioso. De repente, ouviu-se um tiro de espingarda que ecoou cerrado abaixo, interrompendo a calada noturna e emudecendo os sapos e o cri-cri dos grilos.

    – Sai da casa ou mato todo mundo! – Era o Zé Cueca, sem dúvidas era o Homem-Mau.

    – Nossa Senhora ‘Parecida, minha santa protetora, rogai por todos nós, Deus me livre, credo em cruz – a mulher lembrou-se de pegar os dois meninos nos braços e saiu numa correria no meio do mato, no escuro. Cai daqui, levanta dali, tremia que nem vara verde, os meninos choravam sem entender direito o que estava acontecendo.

    – Corre ou eu vou matar todo mundo – o grito do homem vibrou mais forte, agora seguido de vários estrondos, era tiro pra todo lado.

    Já ia longe a mulher e os dois meninos quando lembrou-se do Zé. Pensou em voltar.

    – E os menino? Meu Deus do Céu!

    De joelhos, começou a rezar uma Salve Rainha ou um Creio em Deus Pai, nem se lembra mais.

    – Deus que óia o Zé – Gritou a mulher apreensiva.

    De repente, viu um vulto passar correndo por ela e se encobrindo atrás de uma moita de gravatá. Seu corpo estremeceu, pensou que era chegada sua hora. Poucos segundos depois, sentiu um alívio danado. Era o Zé do Nova todo ofegante, havia pulado, ninguém sabe como, a janela e corrido mais depressa que a mulher e os meninos.

    Num suspiro, sussurrou:

    – Corre muié, o homem tá armado. Corre que o que ele quer é matar nóis tudo.

  24. A poucos dias atrás fiz um relato da minha vivencia, que postei no Museu da Pessoa, sobre o que vi e houvi sobre Orlando Sabino. Vou postar este relato abaixo, para deixar a minha impressão sobre o fato.

    Orlando Sabino – O monstro de Capinópolis ?

    Em 1972, no mês de março, completei 15 anos de idade, foi o primeiro ano que estudei no período noturno, fiquei feliz, pois teria todo o dia disponível, não mais precisaria acordar cedo para ir à escola. Nesta época morava em Capinópolis, MG., cidade que fica no pontal do triângulo mineiro, cidade pequena, pacata, onde quase não se tinha noticia de violência. Porém, no início daquele ano, começamos a ouvir sobre alguém que estava matando pessoas e animais, com requinte de crueldade, na região de Centralina/ Canápolis, cidades que ficam perto de Capinópolis, e que o assassino estava se dirigindo a nossa região, no início ouvíamos apenas rumores, comentários, porém com o passar dos dias os boatos e os comentários foram aumentando, o cruel assassino estava chegando a nossa região, começou a haver alvoroço na população, passamos a ver e a ouvir sobre alguns atos violentos em torno de nossa pequena cidade, vou relatar alguns deles, que não estarão em ordem cronológica, como os fatos aconteceram, pois já se passaram mais de 38 anos e a memória pode não ajudar. Um dos fatos, que eu acho que foi o primeiro, foi a matança de bezerros em uma fazenda, que ficava a uns três Km de distancia do centro da cidade, isto fez com que todos passassem a ficar apreensivos, com medo, começou a chegar policiais da Capital, os rumores de mais matança de animais aumentaram, e o terror e histeria generalizada se instalou, ainda mais com a morte brutal de um casal de agricultores, que morava em uma chácara perto da cidade, a polícia passou a procurar o responsável com um aparato que jamais havíamos visto em nossa cidade, com grande quantidade de soldados e armamento, desproporcional aos fatos ocorridos, os boatos passaram a ser intensos, o medo aumentando em uma proporção bem maior aos boatos, em poucos dias a cidade estava bem mais cheia, devido aos agricultores que deixavam suas lavouras e vinham para a cidade com medo, e ao mesmo tempo a cidade ficava vazia, principalmente a noite pois todos tinham medo de sair de casa. Os comentários, os boatos iam a cada dia mais se espalhando. Notícias iam surgindo que o monstro havia sido visto. Um dia eu estava na esquina da Rua 102 com a 99, quando chegou uma guarnição policial, que dizia ter passado a noite inteira na captura do monstro, um policial que estava com uma arma grande, que deveria ser um fuzil, disse a todos que havia visto o monstro cara a cara, e atirou nele, porém as balas no início não saíram, depois quando saíram pegavam no peito do monstro e ricocheteava, a notícia se espalhou como um relâmpago, logo chegou uma noticia que um agricultor havia lutado com ele de facão, muitas pessoas se dirigiram ao local, que ficava em uma fazenda às margens direita da rodovia que dava para Cachoeira Dourada, dei um jeito de pegar uma carona e fui também, chegando lá havia um Senhor todo cheio de si, demonstrando como havia lutado com o monstro com seu facão, fazendo mil estripulias, policia por todo lado, nisto chegou uma equipe de reportagem, chamaram os curiosos que estavam no local, entre elas a molecada, incluindo eu, abriram o porta malas do carro da reportagem e tiraram varias armas, que pareciam umas “lafunchés” velhas que não mais funcionavam, nos entregou e nos pediram para, uns subirem em arvores, outros que ficassem atrás das arvores, outros deitados no chão, todos com as armas em posição de “tiro”, e após o cenário estar montado, passaram a filmar toda a cena, inclusive o valentão que havia lutado com o monstro, que demonstrava toda a sua destreza, agilidade e habilidade com o facão diante das câmeras, dizendo que o monstro era bem alto, rápido como um saci, e que de seus olhos parecia sair fogo, e que quando estava para vencê-lo o mesmo sumiu como fumaça, a noticia correu como vento, o medo com uma velocidade maior. Outro dia disseram que o viram em uma plantação em frente o cemitério, foi um alvoroço, uma multidão correu para o local, todos querendo ver ou pegar o monstro, tinha policiais fortemente armados por todo lado, vasculharam toda a plantação, sem sucesso, os boatos já começaram a surgir no local, uns diziam que achavam que ele tinha virado um cupim, outros diziam que achavam que ele tinha virado um tatu e fugido por um buraco de tatu, outros diziam que achavam que ele tinha fugido montado em um cavalo e que quando a polícia foi atirar nele o mesmo desapareceu como fumaça, mais tarde os comentários mudavam, já diziam que o monstro tinha virado cupim, tatu ou desaparecido como fumaça em cima de um cavalo. Em outra suposta aparição do monstro, foi usado cães, avião de combate de veneno deu vôos rasos a procura do monstro, tudo isto em uma fazenda que ficava em torno de 1 km fora da cidade, na saída para Ituiutaba, novamente se ajuntou uma multidão, a procura novamente sem sucesso, outra vez os boatos surgiram, se tivesse 10 rodas de pessoas, surgiam 10 versões diferentes para o mesmo fato, até que um dia foi anunciado que o terrível monstro tinha sido capturado, e que seria apresentado a população na delegacia da cidade, onde pouco depois se formou uma grande aglomeração, todos queriam vê-lo, logo dei um jeito e fui ver o terrível e temido Monstro, que neste momento já tinha um nome, Orlando Sabino, cheguei ao local onde ele estava exposto à visitação pública, minha expectativa de vê-lo era grande, pois se dizia que era alto, forte, cara de mau, dos olhos saiam fogo, esperto como um saci, mais rápido que o vento, que tinha pacto com o “coisa ruim”, e como nunca tinha visto ou estado perto de um monstro, agora teria a oportunidade de ver um, tinha a certeza que veria um terrível monstro, e quando o vi, decepção, vi apenas um homem franzino, pequeno, o rosto, em relação a idade que diziam ter, era muito estragado pelo tempo, estava muito assustado, como um pequeno animal acuado, com um medo terrível, daqueles olhos que achei que veria sair fogo, o que vi saindo foi um pedido de socorro, como que dizendo “mamãe me ajuda”. Esta foi a minha impressão, a imagem que eu vi e tive de Orlando Sabino, fiquei frustrado, pois não vi um terrível monstro. Tinha visto apenas um pobre coitado, que parecia estar mais assustado que toda a população de nossa cidade.

    A partir da captura de Orlando Sabino e sua transferência, creio que para Belo Horizonte, com o fim da histeria e do medo, começou a surgir muitas dúvidas e perguntas sem respostas, pois apesar de toda a boataria, todo comentário, tínhamos visto e presenciado apenas dois fatos concretos em nossa cidade, a morte dos bezerros e o assassinato de um casal de idoso, que morava em uma pequena fazenda bem próxima a cidade, os demais boatos eram que alguém tinha visto o monstro em determinado local, que o mesmo tinha matado animais de criação para comer, que tinha feito fogo para se aquecer ou cozinhar para se alimentar, porém nada comprovado, e não ficávamos sabendo quem ou de onde se iniciava os boatos, e quanto a justificativa para o fato do mesmo aparecer em diversos lugares diferentes, distantes um do outro, em um tempo que seria impossível para uma pessoa andando a pé percorrer, o que se dizia era que ele tinha parte com o “coisa ruim”, por isto poderia andar na velocidade do vento, desaparecer em uma nuvem de fumaça, boatos que durante o ocorrido não ouvi ninguém questionar, porém após sua captura iniciou-se o questionamento, pois o aparato policial/militar foi muito desproporcional ao que realmente havia ocorrido, as armas e equipamentos usados não era compatível com a simples procura do assassino de um casal de idosos, de uma cidadezinha encravada no pontal do triângulo mineiro, pois com a morte dos bezerros jamais o governo federal ou estadual iria se preocupar, a não ser somente as autoridades policiais local, por isto novos comentários começaram surgiram, inclusive que a policia havia prendido algumas pessoas na região, e que foram levadas da cidade sob sigilo, sem nenhuma divulgação e/ou confirmação das autoridades, por isto ficou em uma parte da população da cidade a pergunta, “quem ou o que teria sido o monstro de Capinópolis? Aquele pobre coitado foi realmente o “MONSTRO DE CAPINÓPOLIS?

    Uberlândia, MG.

    William de Almeida, 12/ Janeiro/ 2011

  25. Também vivi aquele momento, como foi o primeiro ano que passei a estudar no período noturno, tinha todo o tempo do mundo para saracutiar pela cidade, a procura de novas notícias sobre o “terrivel monstro”, sempre que diziam que ele fora visto em um local eu também ia lá para ver, mas tudo parecia ser boato, invenção, e o que realmente vi de concreto foi a matança dos bezerros na fazenda que fica na saida para Cachoeira Dourada e a morte brutal do casal de idosos, quanto ao fato que o viram na plantação em frente o cemitério, fato que gerou muitos boatos e mitos, e do homem que disse que lutou com ele de facão, em uma fazenda que fica as margens direita da estada que vai para Cachoeira Dourada, aquele camarada estava era viajando na maionese, porque o que ele queria mesmop era aparecer, porque todo mundo estava era morrendo de medo, e só o tiozinho demonstando coragem lutando com o monstro e que o teria vencido se o mesmo não tivesse sumido como fumaça. Nesta mesma fazenda participei de uma simulação, de uma equipe de reportagem, que distribuiu armas velas, já em desuso na época, para várias pessoas que estavam no local, orientando-nos a ficar em cima de arvores, atras de arvores, deitados no chão todos em poisição de tiro. Houve muita simulação, e estas simulações passaram a ser como verdade. Porém de verdade mesmo, o que vi foi um pobre coitado, que estava mais assustado que toda a população da cidade, e algumas autoridades se exibindo ao lado do trofeu. Para mim houve algo por trás de tudo aquilo, pois houve também, apos a captura do Orlando Sabino, comentários que a policia tinha prendido algumas pessoas na região, e as levado da cidade em sigilo. Quanto a morte do casal, poucas pessoas acreditaram que a autoria fora mesmo do probre coitado.

  26. Estava comentando com um professor que reside em Catalão – GO, sobre Orlando Sabino e falei da minha história, da minha vivência naquela época e ele, como ficou interessado buscou na internet e ne falou várias coisas. Depois disso fiquei curioso para saber a data da sua prisão. então mergulhei no passado e cheguei a isto: Naquela época, eu morava com minha família no município de Ouvidor – Go, mais precisamente num lugarejo denominado Igrejinha das Perobas no Paraíso do Meio, onde meu pai, José Horácio Sobrinho, violeiro e influência política por aquelas bandas, tocava um comércio – uma venda – o que estava dando vida ao lugarejo. Para eu lembrar da data da prisão de Orlando Sabino eu precisei fazer um retorno, que não garantiu o dia exato, mas pelo menos indicou o ano certo. Pois bem, antes desse monstro aparecer por lá, o prefeito da cidade mandou buscar a população da zona rural para a cidade, enviou uma jardineira que levou a todos, eu era um deles, eu e toda a minha família. Naquela noite deixamos tudo para trás. Um fato que me faz ter cer “certeza” é que naquele tempo, a Rede Globo exibia no horário de 20:00 a primeira versão da novela Selva de Pedra, e isto e me recordo até hoje.
    Depois retornamos ao Paraíso e faziam mutirão à noite na minha casa. Os moradodres levavam foice, machado, espingarda entre outras ferramentas. Meu pai tinha um trinta e oito e era um exímio atirador. Pois bem, o batalhão da polícia de Anápolis ficou por uma noite em minha casa, lembro até que fui buscar um fuzil para o comandante e o achei bastante pesado. Tinha então oito anos e alguma coisa, tinha terminado o pré-primário com a professora Dona Ofélia, numa escola lá do Paraíso. Minha mãe estava grávida de uma menina e deu à luz em maio de 1972. Portanto, Orlando Sabino deve ter sido preso no começo de 1972, pois logo depois que esse camarada assassinou o senhor Alaor, um amigo e vizinho de meu pai, que também mexia com um pequeno comércio para os lados de onde fora assassinado. O pelotão de Anápolis, através do seu comandante, tentou nos menosprezar dizendo que éramos uma cambada de medrosos e que goiano não tinha medo, mas meu pai foi catedrático e mostrou com a habilidade de compositor e comerciante, o nosso devido lugar e da nossa incapacidade de lutar e medir fogo contra essa coisa que ninguém o acertava. Poucos dias depois, orlando Sabino foi cercado num brejo nas terras do senhor João Balbino, próximo às terras do senhor José Frederico, no Paraíso de Baixo. Nesse local juntou muita gente fortemente armada, inclusive o batalhão de Anápolis e seus atiradores “profissionais”. O senhor Alaor viu o homem rastejando no brejo e descarregou o seu revólver, tão logo executor o último tiro pediu ajuda dizendo que a sua munição havia acabado, não passou muito para receber um estampido que partiu de dentro do brejo certeiramente no peito de Alaor que tombou sem vida, quase nos pés de meu pai. Meu pai correu e pulou um mangueiro e também pulou o mangueiro, o tal de Orlando Sabino e ficou de costas para meu pai, que não teve coragem de atirar ou algo sagrado não o deixou atirar. Depois disso fui saber de Orlando Sabindo quando foi preso em Capinópolis – MG, tentando rebentar uma corrente para levar uma canoa. Na roça eu pude ouvir uma entrevista pela rádio Inconfidência de Belo Horizonte com o elemento, que tinha uma linguagem cansada e curta, quase não respondia o que perguntava. Após a prisão não tive curiosidade de saber mais, minha preocupação era estudar e brincar. Era uma época difícil; o Brasil vinha de um tricampeonato mundial, a humanidade estava ainda tensa pela visita do homem à Lua, e a tristeza – o Brasil estava de luto por várias mortes provocadas pelo Regime Militar quando do AI5. O que pensar?
    Será que o homem que meu pai viu e e que assassinou o Alaor era o mesmo capturado em Capinópolis. Vou incrementar isso em um conto. E meu pai ainda é vivo e pode confirmar toda essa parafernália.

  27. eu tambem vivenciei a saga de Orlando Sabino,e concordo como o comentario da juliana, é bom saber que a historia de nossa região não morreu, e tem pessoas rebuscando fatos para mostrar a vida de nossa região.

  28. Rapaz, vasculhando os sites da região, me deparo com esta historia a muito acontecida. Naquela época dos ocorridos em nossa região, era o terror mais árduo para os habitantes do pontal do triângulo mineiro, então neste época eu com média de 11 ou 12 anos, era responsável de levar a comida dos presos da cadeia pública de ituiutaba, nesta época fornecida pela Sra. Maria Vieira, no dia da prisão, quando então correu a noticia que Orlando Sabino fora preso e estava sendo conduzido para a cadeia de ituiutaba, chegando um aparato de militares fortemente armados e toda a imprensa no local, me lembro que estava distribuindo a comida dos presos quando então entrou Orlando Sabino, olhei para ele assim meio que assustado, mas depois com o passar de um tempo, pude analisar que aquele senhor foi usado, não possuia nenhuma caracteristica assassina e muito menos de violencia, era um andarilho, um coitado, eu fiquei olhando para ele, e comecei a analisar o que o ser humano e capaz de fazer para justificar um acontecimento que apavorava o triangulo. Não sei qual o fim daquele coitado, que todos temiam, eu com 11 anos, nada vi de perigoso, ele era totalmente doente mental, nem falava, levou toda a culpa, as análises e acusações foram covardes e impostas aquele doente mental. Foi dada a resposta a sociedade, mas com um áto desleal e sem misericordia. Este caso estranhamente foi encerrado e nada mais aconteceu.
    Eu tive a oportunidade de conhecer e estar com Orlando Sabino, o pobre andarilho que foi acusado sem nunca poder se defender.
    Coisas do passado, assim como o caso dos irmãos Naves de Araguari, o maior erro juducial do Brasil e que a justiça ainda se envergonha quando delegados e policias tinham o poder de fazer o que queriam, sem respeitar os direitos humanos e acima de tudo de acovardar um áto exposto para uma sociedade tambem covarde.
    Hoje com 48 anos, pude recordar daquelas cenas patéticas e um tanto teatral.
    O que foi feito de Orlando Sabino? Alguem sabe?
    Eu nunca mais ouvi algo a respeito.

  29. Minha monografia de conclusão do curso de História da UFU, teve como título:" Mitos, rituais e memórias: o caso Orlando Sabino no Pontal do Triângulo na década de 70."
    Se alguém se interessar, emtre em contato comigo, foi um ótimo trabalho que fiz, com entrevistas, pesquisas em jornais e revistas da época e outras fontes.

  30. Parabéns pela matéria. É muito legal saber que se preocupam com a cultura da nossa terra.

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